sexta-feira, 29 de junho de 2012

Euro 2012: dia 21.



Tendo em conta o padrão iniciado em 1982, continuado em 2006 e prosseguido agora mesmo, os italianos bem podem rezar a todos os santinhos para que nas vésperas de uma grande competição da bola as escandaleiras se sucedam, com apostas ilegais, tráfico de influências, padres mafiosos, padres pedófilos, apostas ilegais e Cosa Nostra e apostas ilegais. E se a isto se juntar uma fase de preparação medíocre, é caso para se apostar bom dinheirinho nestes italianos, e se for ilegalmente, melhor. Grande exibição destes sujeitos, sobretudo na segunda parte, em que desconcertou a inteligência com que fabricavam "tranfers" (no meu tempo eram "contra-ataques") no meio campo teutónico; mais desconcertante só a ligeireza com que eram desperdiçados. De Rossi, Montolivo e, peço desculpa, vou-me ajoelhar, Pirlo são o melhor meio campo deste Euro, onde até um bom jogador como o Marchisio parece um Meireles, tal a exigência da comparação. Quanto aos alemães, não se preocupem: quem se dá ao luxo de deixar Muller, Gotze, Reus e Kroos no banco só pode aspirar a nos próximos dez anos estar sempre, no mínimo, nas meias finais de uma competição do couro. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Euro 2012: dia 20.


E pronto, o Euro 2012 acabou. As mulheres podem voltar para os tachos e panelas e aquelas que nos estádios, exibindo as carnes pecadoras, não conseguiram vantajosos contractos para publicidade/brocharia, devem regressar aos classificados do Correio da Manhã. Uma calamidade proporcionada por dois penaltys falhados, pela magnífica capacidade decisória do Meireles, pelo remate para Júpiter do "melhor jogador do mundo", pelo "azar" (esse vendilhão que não larga os lusitanos) e por uma exibição monstruosa de classe de Sergio deixem-me atirar para o chão Busquets, num jogo da bola em que duas equipas, desfalcadas com Almeida e Negredo, proporcionaram um interessante espectáculo de rigidez táctica, só superada no prolongamento por Pedro e Navas que finalmente deram largura ao catenaccio do século XXI da selecção espanhola. Altura de arrumar as cadeiras, limpar o chão, apanhar as beatas, despejar as mines e de estarmos mais uns meses sem ouvir relatos do Paulo Garcia.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Euro 2012

Para completar os fundamentais posts do co-autor Napalm sobre o Euro, os ultra-fundamentais textos do enorme Luís Freitas Lobo sobre o Euro, desde logo com esta pérola: "Não é obrigatório esquecer o clássico para se ser moderno."

Luís Freitas Lobo no ípsilon, já!

Em breve: o 11 ideal do euro, que inclui o melhor jogador do mundo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Euro 2012: dia 17.


Eram 22:20 em Portugal Continental quando Hart, o badameco, começa aos saltinhos na linha de baliza, talvez impulsionado pelo futebol de macaquinhos alcoolizados da sua equipa. Uns trinta segundos mais tarde já era vítima da maior gozação deste Euro, que teve um sabor ainda mais doce porque nessa altura as alimárias estavam todas contentinhas com a possibilidade de ganharem o jogo. Felizmente, assim não sucedeu, nem que não fosse porque uma equipa que tem um Carrol (não há palavras suficientes para descrever esta coisa, e peço já desculpas ao Samaras e, imagine-se, até ao Dzeko) deveria ser proibida de participar em competições oficiais (grande inteligência negocial dos dirigentes do Liverpool, o clube dos assassinos). Quanto ao autor da humilhação, há que escrever que ultrapassou as minhas expectativas: pedi-lhe uma cuequinha ao apodrecido médio do mesmo Liverpool, e ele responde com aquilo. Ide, ide, lá para os fish and chips e para os filmes do Boyle, e peçam escusa futebolistica durante trinta anos, para se actualizarem. Filhos da puta.

domingo, 24 de junho de 2012

Euro 2012: dia 16.


A exibição da Espanha no jogo de ontem contra o Alcorão deve ter sido o apogeu (número 873) do "sindroma da gaja boa": faz o que quer, como quer, tendo absoluto controle sobre o adversário, deixando-o a babar e a cheirar o perfume. Desta vez, nem precisou de muito, bastando levantar um pouco a mini saia e a deixar cair uma alça do soutien, tal a falta de resistência e controle por parte dos banlieues, que nunca mostraram, por um segundo que fosse, que poderiam dar uma carga de porrada em tamanha putaria provocatória. Tantas foram as facilidades que o Busquets, uma vez mais, aproveitou para se estirar pelo verde prado do Dumb Ass Arena. 

simulação de um Gana-Brasil, com comentários de Paulo Garcia e João Rosado:

P.G- Boa tarde, senhores radiouvintes. Estamos em directo da capital ganesa, Jacarta, para acompanhar este Gana-Brasil. Como antevês este encontro, José?

J.R- João. Perspectivo um encontro fascinante.

P.G- Concordo, Mário. De um lado estrelas como Essien, do Man. United, e um dos irmãos gémeos Boateng. No outro lado um Brasil renovado, com Ganso, Pato, Neymar e Rivelino. 

J.R- João. Sem dúvida, "estão reunidas todas as condições para um excelente espectáculo de futebol".

P.G- Evidente, Marisa. E entram as equipas em campo para o aquecimento, com os jogadores a darem toques num objecto redondo.

J.R- João.

P.G- Isso. Voltamos dentro de momentos. A emissão é tua, Fernando Pessa.

sábado, 23 de junho de 2012

Euro 2012: dia 15.



Para ainda maior desgraça dos gregos e dos cuspidores de fogo do Chiado, a humilhação maior não foi o atropelamento futebolístico nem os escassos quatro golos, mas sim a exibição do oficial Schweinsteiger. Com uma sobranceria asquerosa e na linha da "típica arrogância alemã" (por contraponto com a severa humildade das capas dos jornais desportivos portugueses), Bastian, sobretudo na primeira parte, distribuiu generosos passes e assistências para os gregos, convidando-os a fabricarem uma jogada de bola que não envolvesse coices no coro. Felizmente para a saúde futebolística internacional, Makos, Ninis e demais trapezistas mal viam a bola no pé questionavam-se para que ela servia e tratavam de a enviar para a cona da prima (ou para o Samaras, um jogador que "joga muito bem sem bola", literalmente). Vergonhoso comportamento do meio campista da Wehrmacht, a achincalhar não só a equipa adversária como um povo soterrado em problemas de dinheiros. Uma orgia com o Ozil e o Hummels também não está fora de questão. 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Euro 2012: dia 14.


Através de prestigiosos prémios em Cannes, Veneza, Berlim, Locarno ou Vila do Conde, os cineastas de todo o mundo vão cimentando a sua reputação e consequente institucionalização. Mas a desejada canonização só aparece quando existem fotografias desse (s) cineasta (s) em duas poses, a saber:

1) com os indicadores e polegares de cada mão a formarem um enquadramento imaginário.

2) a darem uma passa no cigarro, ou simularem que a estão a dar, o que na foto vai dar ao mesmo. Se possível, a foto tem de estar em preto e branco, e o jackpot será apenas mostrar a cara de perfil e o cigarro, com tudo o resto numa bruma eterna.

Portanto, antes de enveredarem pelo maravilhoso mundo do digital, aconselho as jovens e jovens de todo o país a pedirem a ajuda dos respectivos amantes nesta tão delicada questão. Podem ainda não ter nada feito, mas já têm portfólio essencial para, anos mais tarde, ser aproveitado para uma entrevista num suplemento cultural. 

E assim chegamos ao fim do nosso espaço recreativo de hoje. Vitória natural e sem contestação do "melhor jogador do mundo" e seus sequazes vs uma equipa que estaria melhor a fazer bobós ao Slavoi Zizek (nem quero saber qual o nome correcto deste punheteiro).

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Euro 2012: dia 12.



Enquanto Rep. Checa e Grécia andam pelos quartos-de-final, com vergonhosa impunidade, a Suécia, de largo superior áquelas duas, vai para casa. Frente a uma selecção senegalesa que ontem manteve a total coerência dos dois jogos precedentes (um jogo de paciência e tabelinhas que tanto pode resultar em pântano futebolístico como em belos momentos de bola), os suecos mostraram as suas mais-valias no contra-ataque, sobretudo pelo lado esquerdo da defesa marroquina, onde pontifica essa coisa chamada Clichy, uma parvoeira que, contudo, foi suficiente para há uns meses apagar o "ganda Hulk". E agora um Espanha-Chade nos quartos-de-final, um jogo em que certamente se irá bater o record mundial de passes curtos.

Estes árbitros ao lado das balizas trazem à lembrança aqueles sujeitos que, nos filmes, fazem parte de um gang de bandidos mas que nunca falam, são gado servidor para os chefes, e são logo os primeiros a morrer. Não servem para coisa nenhuma (os árbitros das balizas, não os bandidos). Ontem lá voltaram a provar a sua inutilidade, e da forma mais vergonhosa possível no mundo do futebol, ao beneficiarem a Escória do "jogo limpo"( não há campeonato com lesões mais graves e entradas mais violentas), e do "fair play" (como é bom ver os grunhos a apupar os "fucking divers" das equipas latinas quando estas têm o desprazer de jogar contra clubes da Escória). Apesar de tudo, continuo a pensar que esta qualificação para os quartos-de-final faz parte de um engenhoso plano divino, e que tem como objectivo aumentar as expectativas dos súbditos se Sua Cagalhona (malgré Helen Mirren), para  logo a seguir as destruir até à mais ínfima pontinha dos cabelos, o que nos faz concluir que Deus é, indubitavelmente, bondoso. Pirlo, depois de estares a ganhar 2-0, faz uma cuequinha ao mata-cavalos do Liverpool e atira-te para o chão a seguir, com suficiente categoria para o árbitro marcar falta e para o Hodgson cuspir dois Tawny Ferreiras pela boca.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Euro 2012: dia 11.




...Busquets no chão. Xavi para Iniesta, Iniesta para Xabi Alonso, Xabi Alonso para Silva, Silva para Arbeloa, Arbeloa para Xavi, Xavi para Iniesta, Iniesta para Busquets. Busquets no chão. Xavi para Alba, Alba para Xavi, Xavi para Alba, Alba para Iniesta, Iniesta para Silva, Silva para Torres. Torres para Modric. Modric para Manduzic, Sérgio Ramos Penalty. Busquets no chão. Piqué para Xavi, Xavi para Iniesta, Iniesta para Silva, Silva para Casillas, Casiilas para Xavi, Xavi para Arbeloa, Arbeloa para Piqué, Piqué para Alba, Alba para Xabi Alonso, Alonso para Torres, Torres para Rakitic. Busquets Penalty. Busquets no chão. Piqué para Alonso, Alonso para Casillas, Casillas para Xavi, Xavi para Iniesta, Iniesta para Butragueno, Butragueno para Iniesta, Jesus Navas, golo. Busquets no chão...

Sua excelência referira, além disso, que as fêmeas yahoo costumavam  agachar-se atrás de um talude ou de uma moita para espreitarem a passagem dos jovens machos, jogando às escondidas, utilizando inúmeros e invulgares gestos e esgares, ao mesmo tempo que soltavam um cheio repelente. E quando um dos machos se aproximava ela retirava-se lentamente, lançando frequentes miradas para trás e, aparentando medo, refugiava-se num lugar propício, onde sabia que o macho daria com ela. Gulliver's Travels. Tivesse a selecção irlandesa de futebol um grama da perspicácia e talento do seu antepassado Swift, e talvez não se arriscaria a sofrer golos, por exemplo, do Balotelli. Para a história fica o comportamento "exemplar" dos seus adeptos, relembrando que a qualidade de uma claque é inversamente proporcional ao da equipa que apoiam. 

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Euro 2012: dia 10.



Aí aos cinco minutos de jogo, reparo no De Jong isolado no meio campo, rodeado de portugueses, com quatro gajos atrás e cinco bem lá à frente, quase para lá da linha de fundo. Foi nessa altura que fechei os olhos e pensei: "com estes desejos tácticos suicidários, até o Cimino de gloss, cinta de ligas e plumas arrasaria com esta laranja apodrecida.". Se juntarmos a este esquema 2-1-17, na tradição da velha escola Húngara dos cinquentas, uma preguiça indescritível dos jogadores holandeses (Robben: Corram bois, e passem-me a bola, para eu delinear a única jogada que sei delinear, sou tão atrasadinho mental!), com um pressing e posicionamento digno de distritais, e ainda uma atroz mediocridade de todos os defesas (se a inexperiência do Willems ainda se desculpa, já o Van der Wiel deve ser das porcariazinhas futebolisticas mais sobreavaliadas no continente europeu), fica composto o caldinho para esta equipa ser destroçada pelo "melhor jogador do mundo" e suas criadas. O resultado justo seria Holanda- 1 "O melhor jogador do mundo" & co-pilotos- 10.

No Sábado, disputou-se o Germany vs Denmark entre actrizes porno dos dois países. Desconheço o resultado, mas será das coisas lógicas que a Alemanha terá vencido, fortalecida pela robusta escola GGG de Munique, onde pontificavam talentos como Betty, Annete Schwartz, Viviane, Melanie Moon, Jasmine, Magdalene e demais pérolas, todas bem orientadas pelo mister John Tompson, cioso zelador de uma disciplina férrea de caldos de meita pelas suas bonitas faccias. Quanto ás dinamarquesas, tenho de investigar os seus méritos. Decerto que haverá uma versão porno do Ordet, em que no final a mulher ressuscita e começa logo a dar à língua gulosa no pastor alucinado. Pior que os recentes porno do Von Trier não será.

domingo, 17 de junho de 2012

Euro 2012: dia 9.



"A bola não quis entrar". Uma expressão que tanto pode remeter para os sempre presentes desejos de antropomorfização de objectos inanimados, ou para conceitos filosóficos mais obscuros, como o "véu da percepção", em que só iluminados conseguem observar o que está para além dos nossos olhos. Sendo assim, os lacaios do "melhor jogador do mundo" são uns potenciais Disney e/ou Descartes. Ontem, especialmente durante o vendaval ofensivo polaco dos primeiros 20 minutos, a "bola não quis entrar" na baliza checoslovaca; e, como diria o escudeiro Sancho Pança, "quem não marca nos primeiros vinte minutos de vendaval de futebol ofensivo, arrisca-se a sofrer golo de um sujeito que bem poderia estar numa banda de death metal". E, como diria o De Niro no Casino, "that´s it".

Como não tenho o dom da ubiquidade do Freitas Lobo, que vê cinco jogos ao mesmo tempo enquanto lava a alface, não vi o Grécia-Rússia, que terminou com um resultado que me leva a considerar as seguintes hipóteses: a) Deus Nosso Senhor, afinal, é grego. b) os Russos nunca leram o "Liberdade ou Morte", do Kazantzakis. c) "a bola quis entrar" para o Karagounis. d). o senhor Merkel e seus apaniguados fizeram uma conjugação de feitiçaria para que os gregos ganhassem para assim calharem com os compatriotas do senhor Merkel nos quartos-de-final, que utilizará esse encontro como forma de castigar duramente os gregos por votarem no Syriza e demais demónios anti-troika e anti-desejos de expansão dominadora que nunca está adormecida nos cérebros do senhor Merkel e seus súbditos. Seja como for, tudo é possível a partir de agora. Menos, claro, Milners e companhia erguerem a taça. Jamais, putanheiros.

sábado, 16 de junho de 2012

Euro 2012: dia 8.



Apesar da lentidão, já tinha gostado da selecção magrebina contra os coisos. Contra a Ucrânia, ainda mais gostei. Sem abandonar o seu jogo paciente, foram mais incisivos, ajudados, também, por um adversário que não se limitou a colocar onze vinicultores em cima da linha da grande área. Foi também um bom jogo para verificar belos exemplares de mulherio ucraniano, com unhas de gel até ao céu e mamas saltitonas sob as arrancadas do Iarmolenko. Rezemos para que toda esta formosura ajude a equipa da casa a vencer, se possível de forma clara, o último jogo da fase de grupos. Bora, Boris. 

Contra os coisos, até a Suécia, que não é nenhum prodígio do futebol apoiado, se assemelha a uma equipa mandona. Menos para o António Tadeia, que no final da primeira parte dizia que "a Inglaterra esteve mais bola". Qual bola? A imaginária? Como é que uma equipa com Milners, Welbecks, Carrols e Youngs consegue ter mais bola? Espero que estes caralhos vão co caralho no último jogo, embora um possível confronto com os espanhóis nos quartos-de-final também não deixe de ser uma perspectiva saborosa. Nesse caso, não bastarão onze garrafões em cima da linha de baliza; há que chamar o Douro, a Califórnia e Bordeús inteira para os ajudar.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Euro 2012: dia 7.



Razoável partida entre Pirlo e companhia vs Modric e as adeptas com os melhores pares de mamas do Euro. Especialmente na primeira parte, já que na segunda a Itália deitou-se na manjedoura e começou a chuchar no dedo. Mandzucik agradeceu e fez uma "pequena obra-prima", como aqueles filmes de grandes cineastas que não sendo "obras-primas absolutas", são "pequenas obras-primas", seja lá o que isso queira dizer. Contas feitas, resultado melhor para a Itália, que mesmo com dez, irá de certeza vencer a equipa com "louvável atitude competitiva", enquanto os croatas terão de rezar para os espanhóis estarem a pensar mais em tapas e jamóns do que em jogar o couro. Pirlo, sem vaselina, desta vez.

O Pedro Ribeiro, na TVI, tecia rasgados elogios à "atitude competitiva" dos irlandeses. Entenda-se: admiravam-se as correrias sem freio e sem critério dos sujeitos, como se o jogo da bola fosse agora uma prova de atletismo. A "excelente postura competitiva" dos verdes esteve bem patente no quarto golo espanhol: seis "competitivos" na sua grande área e o Fabregas recebe a bola à vontade e estoira para dentro da baliza do Given. Era o quarto, como poderia ter sido o décimo ou décimo-primeiro, resultado do maior massacre futebolístico já visto em Euros. Os espanhóis pareciam personagens vindos do futuro, de uma civilização futebolística avançadíssima para uns "humildes e esforçados" duendes, que futebolisticamente ainda estão na mesma etapa dos macacos pré-manejadores de paus do 2001.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Euro 2012: dia 6.


A selecção do "melhor jogador do mundo" venceu uma equipa com uns Hamlets jeitosos, como o Bendtner, o Erikssen, o Kvist ou o Agger. Também ficámos a saber, uma vez mais, da inveja e do espírito tradicionalmente tacanho dos portugueses para com aqueles que sobem na "vida a pulso", fruto de "muito trabalho" e "espirito de sacrificio". Essas maldosas pessoas não têm permissão nenhuma para criticar à chuveirada o "melhor jogador do mundo", como se falhar golos isolados contra a Dinamarca não fosse muito mais difícil do que fazer o mesmo contra os Rayos Vallecanos, os Méridas, os Norwich Citys ou os Albacetes. O "melhor jogador do mundo" já provou que é o "melhor jogador do mundo", por isso está imune a qualquer tipo de reparo, sobretudo vindos de mentes piquenas. O "melhor jogador do mundo".

A Alemanha não tem nenhum "melhor jogador do mundo". Em contrapartida, tem o melhor central europeu, o melhor avançado europeu, o melhor guarda redes europeu e as melhores actrizes porno europeias. E uma perfeita consciência do que fazer em campo. Pensava eu que esta equipa iria ser uma espécie de panzer sobre as equipas adversárias, como o foi na fase de qualificação, mas antes está a seguir o guião das estocadas cirúrgicas nos inimigos, sem pressas e alarmismos desnecessários. Quanto à Holanda, a sua proeminência atacante só é equiparada à mediocridade dos seus defesas (Heitingas? Mathijsens? O Van Bommel vai jogar até aos 65?). O Robben lá continua o seu périplo em se tornar, também ele, o "melhor jogador do mundo".

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Euro 2012: dia 5.



O Capitalismo é uma injusta divisão da riqueza. O Comunismo é uma justa distribuição da miséria. Petr Cech, ontem, homenageou não só as palavras de Churchill como uma bonita história de quase cinquenta anos do país onde nasceu, e vai daí decidiu nivelar-se ao mesmo patamar medíocre dos seus companheiros. É solidário, é comovente, é coiso. As duas melhores equipas do EURO-2004 são hoje banalidades em movimento, sobretudo os gregos, que usam e abusam de um futebol alcoolizado de "mete a bola no Samaras ( esse génio), foda-se!", sem centelha de uso cerebral. Jogo fraquíssimo, é evidente.

Contra o futebol aristocrático da Rússia, a Polónia avançou com músculo, troncos, correrias, choques, catrapumba.Com o apoio de milhares de adeptos, lá conseguiu os seus intentos de não perder. Houve festa grossa em alcançar um pontinho contra o seu antigo amo. Os russos, que mal ultrapassam a linha de meio campo têm 82,5% de possibilidades de fabricar uma jogada perigosa, a partir de meio da segunda parte desligaram os motores, talvez com receio de vencer os seus ex- escravos e daí resultar grande motim nacionalista polaco contra os seus jogadores, com o Arshavin e o Denisov empalados nas ruas de Varsóvia.


terça-feira, 12 de junho de 2012

Euro 2012: dia 4.



Os talibans do futebol miudinho do Barça e da selecção espanhola fazem-nos crer que aquilo acontece de forma maquinal, fruto de meros engenhos tácticos e de pré-disposições espirituosas, descartando quase por completo o elemento "talento". Ora, como se viu ontem na selecção argelina, a emulação de tal futebol necessita mais do que nunca de mestres; por melhores que sejam, o Ribery não é o Iniesta, o Benzema não é o Messi, o Nasri não é o Silva e o Cabaye tão pouco o Xavi. Somado a isto, há a natural dificuldade em ultrapassar duas linhas de onze lagares de vinho* plantados em frente da área. Lagares que, embora já desprovidos do seu reliquiário "pontapé para a frente e corram, seus filhos da puta!", continua a mesma pobreza de sempre, com o seu catennacio dos pobrezitos. Desprovidos das suas duas melhores garrafeiras, pouco superiores são aos seus etílicos vizinhos. 

* sobretudo o Milner. Aquilo é menino para para mamar quarenta ovos estrelados e duas bagaceiras ao pequeno-almoço. 

Em 2000, houve obras no sotão da casa. Um dos serventes era da terra do ex-celeiro da CCCP, de seu nome Boris, e que na sua terra natal era Engenheiro Agrónomo ou coisa parecida. Ás oito da matina lá ia ele para o sotão, já abastecido de Sagres e de um rádio munido de canções tradicionais da Ucrância. Um delírio. Entre outros assuntos de enorme importância, como saber se a pila do Dovzhenko era maior que a do Monteiro, falava-se de bola e do Shevchenko, o na altura grande jogador do ex-celeiro. Doze anos depois, não sei do Boris, mas o Shevchenko continua a ser o herói futebolístico da terra. Metido numa maca e a soro, seria titular a brincar, por exemplo, na equipa dos vinhedos ou naquela outra em que joga o "melhor jogador do mundo". Bom tipo, o Boris. Talvez se tenha tornado agiota na máfia ou ainda pior, no Goldman Sachs.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Euro 2012: dia 3.



Uma pessoa (ou mesmo eu) está a ver o Xavi, o Fabregas, o Pirlo, o David Silva, o De Rossi ou esse sublime Iniesta, e pergunta-se o que é que leva alguém possuidor do mínimo de calibragem mental a classificar o Damien Hirst como "um dos grandes artistas contemporâneos". Esta gente deseja assim tanto mal ao mundo? "O futebol é a inteligência em movimento", escreveu Camus. Ontem, Espanha e Itália concretizaram quase na perfeição a boutade; quase, porque andava por lá Balotelli, a mostrar que essa coisa da perfeição é coisa chata e quimérica. Um benigno lampejo de retardadismo mental numa imensidão de sábios. Pirlo, podes enrabar-me com classe, se faz favor. 

No segundo jogo da noite, jogou a Croácia contra uma equipa que utiliza as mesmas armas futebolísticas dos tempos da Revolução Industrial. Luca Modric, óptimo jogador, esteve discreto, talvez agoniado pelo cheiro a aguardente que emanava do meio campo irlandês. Este jogo fez lembrar aquelas partidas de infância em que um tipo, astuto, escolhia os melhores jogadores para a sua equipa e deixava toda a coxidão para a equipa adversária; neste caso, ainda foi pior, pois a disparidade de valores entre croatas e duendes é ainda maior do que nessas partidas nos adros das igrejas. Uma das equipas Chivas Regal parece já arrumada. Esperemos que a outra o comece a ser já hoje.

domingo, 10 de junho de 2012

Euro 2012: dia 2.


É mais complicado dizer "desculpa" ou "amo-te muito, meu amor" na língua materna do que proferir as mesmas palavras num idioma exterior. Pelo que vi no jogo de ontem entre a Holanda e a Dinamarca, parece que o mesmo sucede na categoria "asneiredo". Affelay, dos laranjas, depois de enviar a bola por cima da barra, profere um curioso "PUTA MADRE!!", uma obscenidade típica dos arredores de Eindhoven. Um pouco mais tarde, o seu colega Van Persie sai-se com um ufando "FUCK!", evidente manifestação de pesar nas ruas de Roterdão. No futebol como noutras coisas, até a línguagem já adquiriu propriedades globais. Quanto ao jogo, uma menção para o Robben: até a minha vóvó já sabe o que vais fazer mal pegas a bola na esquerda.

"Tivemos azar."; "resultado injusto."; "não fomos nada inferiores."; "continuamos de cabeça erguida."; "há que continuar a trabalhar."; "estamos orgulhosos."; "temos de manter esta atitude.". Um discurso usual, sobretudo naqueles jogos da Taça de Portugal em que uma equipa da 3º divisão vai a um dos campos dos principais clubes e perde por apenas um ou dois golos e sente uma natural satisfação por isso, já que pensaria ser passada a ferro, o que só não acontece porque os jogadores dos principais clubes nesses jogos passam mais tempo a pensar nas jantes dos carros e nas cintas de ligas das suas louras platinadas esposas (toma dinheiro amor, vai ao shopping). Assim sucedeu ontem, com os alemães a pensarem mais em descomunais orgias na floresta negra do que em jogar à bola contra uma selecção que seria, essa sim, passada a ferro por aquela outra que em 2000, com a equipa B, espetou três secos a estes mesmos SS. Quanto ao "melhor jogador do mundo", há a informação de que fez um hat-trick contra o Brasil.

sábado, 9 de junho de 2012

Euro 2012: dia 1.



Polónia e Grécia abriram o Europeu de 2012 com um espectacular jogo entre solteiros e casados. Chouriços pelo ar, bola constantemente a saltitar, incapacidade nas trocas do couro: um absoluto assombro. O relvado também parecia ser feito de tijolo, o que muito ajudou à rica pobreza geral. Samaras, ponta de lança dos gregos, deverá formar com Dzeko a pior dupla de avançados da Via Láctea. O visual a George Best caído em desgraça também já teve melhores dias. 

O Zenit, perdão, a Rússia, outrora CCCP (camisola mítica no Euro 88), ganhou 4-1 a um dos seus satélites, mas bem poderia ter ganhou por 14. Kerzakhov, por sua conta, falhou uma meia dúzia de chances. Arshavin, Dzagoev, Shirokov e Zyrianov deram absoluto show de bola, mistura perfumada de inteligência e classe. À priori, à excepção da Espanha e da Alemanha, deverá ser a selecção mais forte. Quanto aos checos, estão a milhas do antigamente, pois dos tempos de ouro só resta Milan Baros, estreante no Euro de 1960. Só não são a pior equipa em prova porque essa está reservada para aquela corja de alcoólicos que este ano vem em dose dupla das ilhas britânicas.

os dois grandes cineastas da Praia.




Um tipo outrora escreveu que o Wong Kar-Wai conseguiria captar o mais iluminoso romantismo numa loja do McDonalds. Pois o Rohmer não lhe fica atrás, e de certeza que seria o único a ir para as praias da Caparica em Agosto, atravancadas de ancinhos, bebés chorões, mamas descaídas até ao peito, cães, e lancheiras, e daí realizar a mais pura das solaridades cinematográficas. Ver uma praia nos filmes deste homem é um dos prazeres garantidos nesta vida; não é preciso 4d para se quase sentir o cheiro a sal. Além do mais, consegue outra proeza nada dispicienda, que é a de tornar as mulheres em bikini em seres humanos com os seus humanos problemas e desejos, e não meros pedaços de pão para as minhas perfídias sexuais. 

Nos filmes de Kitano, as praias estão sempre vazias. Mesmo quando está por lá gente, as praias continuam vazias. O mar invariavelmente encrespado, as praias sujas ou rochosas. Não há mulherio em bikini (está todo em estúdio, de farda colegial, a foder com polvos, a vomitar, a comer diarreia e a lamber o cú a cães, no mais idiossincrático porno mundial)  ou homem em shorts justos para chamar a atenção das mulheres de bikini. Apenas um espaço de contemplação, de sentimentos e de jogos suicidas. Portanto, em Portugal, para Takeshi seria recomendável a praia da Adraga em pleno Inverno.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Boa noite

stream of consciousness

Route One, Usa
They All Laughed
Taxi Driver
City Lights
Tokyo Story
Street of Shame
The Grapes of Wrath
Lo Chiamavano Bulldozer
Pickup on South Street
Ma Nuit Chez Maud

Dante

Kirsten Dunst em cima de um corta-relva a destruir brinquedos guerreiros.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

de todas as obras-primas dos "gajos de 70", nem uma se encontra nos "anos 70".



talvez a do Coppola.

notícias de 2012.




Há cousa de três meses, no cinema, Shame causou boa impressão. Revisto há cousa de dois dias, a impressão já não foi tão boa. O que já gostava permaneceu intacto, o que pouco apreciava ainda apreciei menos, indo ao ponto da irritação. Tanto apraz o espírito com dilatações temporais desmesuradas ( magníficas cenas de sedução e quase consumação entre o tarado e a colega de trabalho, ou ainda o plano da discussão entre o punheteiro e a irmã- actores abandonados a hesitações e a embaraços), como cai na sordidez de montagens paralelas ridículas, uma musiquinha épica (que não é mais do que uma remix da Journey To The Line do Thin Red Line) para exteriorizar o "drama, o horror, a tragédia" do fodilhão, ou ainda coincidências de argumento saídas de um qualquer livro daquele guru dos argumentos que agora me escapa o nome, a saber: não me lembro de ter apanhado duas vezes a mesma boazuda no metro, ou o ainda melhor "este homem é tão fodilhão que, mesmo sendo hetero, vai com homens e tudo". No Hunger o McQueen já evidenciava visíveis sinais de esquizofrenia, com a total secura a conviver com planozinhos de passarinhos e bosquezinhos, que formosura e que deleite, mas aqui bate de chapa forte.

Como não vi o Shotgun Stories, abstenho-me de confirmar se Jeff Nichols é o bezerro de ouro número 897 a sair do púcaro do "cinema independente norte-americano". Por este Take Shelter, escreverei que a montanha pariu não um rato mas uma bactéria num prato da sopa do Cronenberg. Também aqui intromissão musical sem critério, e redundâncias várias no género terror movie. O ritmo contemplativo parece estar mais de acordo com os recentes e "ásperos" bocados de "cinema adulto" das Américas, artificialismo que não faz mossa nenhuma, mas que também não provoca maravilhas na mente. A partir de um determinado ponto (para aí a partir dos cinco minutos) começamos a contar o tempo até ao big payoff; ele lá surge, com a mulher do Shannon (melhor actor do mundo?) a abanar a cabeça, como quem diz, "sim, amor, tinhas razão, sou uma cadela imunda por não ter acreditado em ti nem ter visto nenhum filme do Shyamalan. Coça-me". 

O Eastwood lá continua com o seu enorme despudor em realizar filmes após- Gran Torino. Não tem emenda, este homem. Não segue os bons conselhos que lhe dão e, pior ainda, ´tá-se a cagar. Continua com a mesma escabrosa delicadeza, o mesmo impertinente retrato de sombras, a mesma desgraça em continuar a investigar a Mentira, o mesmo desplante em agrupar as mais belas e harmoniosas peças musicas do cinema actual. Neste J. Edgar vai ao ponto de estabelecer uma relação homossexual sem que planos de caralhos surgam no horizonte, uma terrível afronta aos tempos modernos. Inebriante putrefacção a magnificiência. Era agarrar em ti, Clint, e atirar-te para o meio da secretária do Vasco Câmara, enquanto ele te torturava com mais uma visão daquela coisa do Tocha. Seu bandido.

E agora, silêncio, que se vai beber um vinho do Porto. Acabada há pouco a terceira visão de Le Havre, fui à imunda cozinha buscar uns lenços para limpar as lágrimas que corriam discretamente desde o primeiro plano, quando reparei que não havia lenços, mas sim uma mosca-varejeira no prato, a debater-se gulosamente com um bocado de resto de presunto. Ao ver Le Havre, também me sinto uma mosca-varejeira a sorver cada atómo desta genialidade tão bela que nem sequer encontro palavras no dicionário Houaiss para a descrever. Impressionante a quantidades de doces neste filme: cigarros a acenderem-se, pão a molhar-se em ovos, copos de vinho branco, baguetes, humor extraterrestre (adoro a sociedade. quer comprar alguma coisa?- sim, um ananás), um gira-discos, um pseudo Johnny Halliday a cair de podre, a dicção do Andre Wilms, a convocação do Simenon, o Léaud a cair de podre, as grandiosas casas-museu de Kaurismaki, a noite na Normandia, cães a arfar, floristas, um zoom milagroso e ainda mais, é só ver. Espanto de detalhes. Melhor filme do ano. De longe.