terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2014. alguns filmes


La prise de pouvoir par Louis XIV, Roberto Rossellini


Korkarlen, Victor Sjostrom


Broken Lullaby, Ernst Lubitsch


Faust, F. W. Murnau


Sherlock Jr., Buster Keaton

Estes cinco filmes obliteram tudo o que foi visto em termos dos cinemas em 2014. São, como diz o Samuel L. Jackson no Pulp Fiction, another sport. Todos vistos pela primeira vez, á excepção do Faust, mas que também entra aqui já que eu não o via desde, salvo erro, os tempos em que eu era uma pessoa sã, portanto, há bastante tempo. De qualquer das maneiras, e mesmo que o tivesse visto 45 vezes nos últimos dois anos, entraria sempre nestas contas, pois há que atribuir o justo prémio a um filme que provoca não só tanta esporradela mental como um gasto exagerado de lenços de papel (para as lágrimas, não para a esporra, seus pervertidos). Segue-se mais uma infindável lista de filmes que provocaram grandes engulhos emocionais. O mesmo critério: visionados pela primeira vez ou revistos para colmatar as falhas de memória.

Youth of the Beast, Seijun Suzuki
A Costa dos Murmúrios, Margarida Cardoso
Un soir, un train, André Delvaux
Outrage, Takeshi Kitano
Blind Detective, Johnnie To
Mes Petites Amoreuses, Jean Eustache
People on Sunday, Curt e Robert Siodmak
The Westerner, William Wyler
Nobody's Daugher, Hong Sang-soo
A Mãe, João César Monteiro
Os Dois Soldados, João César Monteiro
Neighbours, Buster Keaton
The High Sign, Buster Keaton
L' Enfer, Claude Chabrol
Die Puppe, Ernst Lubitsch
L' Invitation au Voyage, Germaine Dulac
Kohlhiesels Tochter, Ernst Lubitsch
Therese Desqueyroux, Georges Franju
Ten Minutes Older (Lifetime), Victor Erice
Landru, Claude Chabrol
The Dark Coner, Henry Hathaway
Le Amiche, Miguel Ângelo Antonioni
Un partir de plaisir, Claude Chabrol
Wolsfburg, Christian Petzold
Hotel des Amériques, André Téchiné
Les Dragueurs, Jean-Pierre Mocky
Dark Waters, André De Toth
The Heiress, William Wyler
Naissance des pieuvres, Céline Sciamma
Porgi l'altra guancia, Franco Rossi
Portrait de Raymond Depardon, Jean Rouch, André Lenôtre
Not Another Teen Movie, Joel Gallen
A Woman, Charles Chaplin
Easy Street, Charles Chaplin
Chess Fever, Vsevolod Pudovkin
O Cerco, António Cunha Telles
Amor de Perdição, Mário Barroso
An Unseen Eenemy, D. W. Griffith
Stress is Three, Carlos Saura
Perfect Blue, Satoshi Kon
Im Juli., Fatih Akin
The Intruder, Roger Corman
Take Care of your Scarf, Tatiana, Aki companheiro portista Kaurismaki
Agantuk, Satyajit Ray
Herr Tartuff, Murnau
Généalogies d' un crime, Raoul Ruiz
Der var engang, Carl Dreyer
Big Jake, John Wayne
La Corruzione, Mauro Bolognini
Duett for Kannibaler, Susan Sontag
Hard Luck, Buster Keaton
Just Pals, John "com uma câmara" Ford
Kansas City Confidential, Phil Karlson
O Atirador, Mário Fernandes, José Oliveira, Marta Ramos
Our Daily Bread, King Vidor
A Royal Scandal, Ernst Lubitsch /Otto Preminger
Rise of the Planet of the Apes, Rupert Wyatt
Street Scene, King Vidor
Bill Douglas Trilogy (My Childhood, My Ain Folk, My Way Home), Bill Douglas
The Dover Boys at Pimento University or The Rivals of Roquefort Hall, Chuck Jones
San Zimei, Wang Bing
Ostatni dzien lata, Tadeusz Konwicki
Death Rides a Horse, Giulio Petroni
La ricotta, Pier Paolo Pasolini
The Thief, Russel Rouse
I pugni in tasca, Marco Bellochio
Comizi d' amore, Pier Paolo Pasolini
Cabra Marcado Para Morrer, Eduardo Coutinho
Jiabiangou, Wang Bing
Fièvre, Louis Delluc
Isole di fuoco/ Contadini del mare/ Pescherecci, Vittorio De Seta










quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

serviço público



Pasolini: E então, o que acha dos "invertidos"?
Mulher: Um nojo! Espero bem que nunca tenha um filho assim...
Pasolini: E eu também assim o desejo!

cinema-punheta (2)


Se os filmes do Bressane e do Bellocchio são dois pornos-chachadas disfarçadas de "cinema sensual", Lucy é um inane "filme de acção" disfarçado de "cinema que debate um assunto importante". O pressuposto é o mesmo, mas no sentido inverso: aqui enche-se muita plano com diálogos e poses a estourar de "tema", para depois da "cultura" dada ao povo, libertá-lo com rajadas de metralha e balas e as mamas da Scarlett, matéria já vista há trinta anos em Hong Kong (menos a Scarlett). Banda sonora "cool", sempre a martelar. Não há conflito, não há ideias de cinema, não há nada que escape á debulhadora "entertainment" do Besson. Como sempre, aliás. As ideias "científicas" são de uma estupidez quase comovente. Um dos piores "cineastas" de todos os tempos.

cinema-punheta


Olga Roriz apresenta a sua nova peça: "O Queijo".

Acabado de ver o FCP-Desportivo das Aves do passado Domingo, e sem verdadeiro consolo carnal á disposição, tratei logo de procurar outro de índole intelectual. Bressane? Vamos a isto; pior que a Erva do Rato não poderá ser, nem mais aleijado do que a fusão genético-molecular Casemiro-Herrera. Que bem que começa Filme de Amor: duas cabras e um cabrão sentados a uma mesa, bebendo, fumando, tomando comprimidos, num ritual hedonista muito prazenteiro; plano fixo e banda de som impecável, para a imersão ser total. Fez-nos esquecer da miserável exibição-pimba do Brahimi. Depois começam a surgir planos-performance com diálogos e cauções filosóficas para o Bressane arranjar prestígio e desculpa para os seus delírios e parafilias. Isto de alcançar os céus da alta cultura e as "baixezas" da javardice popular não é para todos, filho. Uma gaja empina o cu a varrer a casa, pedindo enrabadela cultural. Pistas de som desincronizadas das imagens, que, Jesus nos livre de haver o mínimo de identificação entre espectador e personagens. Bressane a distribuir citações e lenga-lengas. Cultura não a sair do cu, como diz uma das personagens do Se7en, mas pela piça. Torrente de cultura. Vamos citar os clássicos , não esquecer Melville. A mesma puta empinada quer ser estrangulada com a pele de um rinoceronte. Já cagamos sensibilidade artistica pelas orelhas, e ainda vamos nos primeiros vinte minutos. Minetagem em acção, e depilação de prestígio. Centrifugadora de cultura. Bora, caralho, mais cultura e citações, que isto é sempre a abrir. Bressane não dá descanso. Bressane adora foda boa (excelente!) mas ainda mais de massacrar-nos. Temos saudades da Alessandra Negrini da Erva do Rato. Quase suspiramos pelo Serra. Este mundo não é para os ignorantes, diz-nos o Júlio. Mais meio Oliver no meio campo e não havia "génio táctico" que resistisse (ganda Jesus!). Aguentamos quarenta minutos. Não dá mais. Temos de ir á casa de banho cagar conhecimento e arte.

Maruschka Detmers, impressionante beleza


Sem tanta descarga de testosterona cultural, mas com os seus devidos méritos, é Diavolo in Corpo, do comuna Marco Bellocchio. Marco está-se cagando para delírios narrativos, "descontruções", simbologias agressivas e demais conas das tias. Filme linear, nesse ponto estamos safos. Mas logo surgem as problemáticas do amour-fou, da "nudez artistica", da babosidade nas cantos da boca do Marco, nas cenas de sexo que duram e duram e duram, para mostrar, claro está, "a cumplicidade e o ardor dos corpos". A Marushcka Detmers na altura estava em alta. Tinha sido a Carmen do Godard, e bem imaginamos o que o velho mestre, um dos maiores rebarbados e misóginos da "magia da história do cinema", terá feito á pobre piquena. Aqui, a bela holandesa limita-se a mamar explicitamente, cousa pouca. Por entre as fodas, Hegel, Marx, e não esquecer a "ferida" das Brigadas Vermelhas. Maruschka está com uma pintelheira épica. Terrenos de Emmanuelle circunscritos por aleivosias caucionárias. Resumindo: mais um punheteiro a pedir desculpa por o ser.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

As leituras de 2014


Apesar da continuação do desbravar do mundo dos espiões do Le Carré, estas duas maravilhas emocionaram. Vai chegar em breve.

Magnífico riff no limite ou já no território do mau gosto

But the euphoria soon passed

Vou ver o Falstaff e aí aos dez minutos apercebo-me que não estou a ver nada, penso em sair da sala, mas deixo-me ficar. Volto a olhar para o relógio e vamos em meia hora, penso que se sair da sala, não vou ter nada para fazer de qualquer maneira. Decido outra vez ficar e tentar concentrar-me um bocado no filme. Noto que a cópia é deslumbrante. A fotografia preto e branco também, Welles touch, os ângulos, os enquadramentos, as sombras. Isto é capaz de ser um grande filme e eu a cinco metros da tela a perdê-lo. A cabeça volta a divagar. Olha, a Jeanne Moreau. O Welles cabotino como gostamos. Ah, vem aí a batalha de que se fala; e começa com uns enquadramentos meio soviéticos, de facto. Confere, portanto. O filme acaba. Vou ter que me esquecer dele por completo para o ver pela primeira vez, é uma pena. Numa noite destas, há uns tempos, não se ia à Cinemateca; ia-se ao King ver uma merda qualquer, exigindo menos, dando menos também, claro. Mas sentia-me aconchegado, não me perguntem, era assim e pronto. Deixei passar o primeiro aniversário do seu encerramento. Foi no passado dia 24 de Novembro.

sábado, 29 de novembro de 2014

epá, se ainda não viste, não leias isto


Boyhood começa da pior maneira possível, ao som de uma das piores músicas de um dos mais insuportáveis grupos de sempre, portanto, um dos maiores pedaços de merda já elaborados na história da Humanidade. A impressão é tão forte e douradora que durante para aí um quarto de hora há uma brisa irritante a percorrer-nos o corpo, e damos por nós só a admirar as mamas da Patricia Arquette ou a matutar no porquê do Linklater ser para os críticos americanos (e para o Rosenbaum) um dos seus realizadores preferidos, quando, aparte o Before Sunset (e aqui mais pela relação que estabelece com o primeiro filme, do que propriamente pelo valor em si), a sua obra só nos provoca encolher de ombros. Mas lentamente começam a surgir cousas bonitas...


... e um certo nível de torpor hipnótico começa a deixar rasto. Acumulam-se os pequenos-nadas, as grandes insignificações da vida, os acontecimentos banais e menos banais a ritmo regular e cuja sucessão é marcada por cortes que fazem serenamente passar anos em um segundo, sem separadores a marcar tempo. Há um desejo de identificação universal fortíssimo a pairar por aqui, e é por este ponto que os vilões poderão pegar para desbastar Boyhood: todos os acontecimentos que associamos a uma infância e adolescência "normal" estão presentes, sem deixar tempo e espaço para psicologias e catarses dos trezentos, no pior dos cenários, "manipulação ". Mas não queremos saber. Seguimos em frente. As mamas da Patricia vão descaindo ligeiramente mas continua uma belezura, a filha do Linklater começa a dar sinais de uma introversão comovente, e mais maravlhas nos vão presentar a acefalia...


...e fazem-nos admirar mesmo aqueles (breves) momentos tipicamente à Linklater, com diálogos sobre o sentido de "isto tudo", aqui inseridos sem causar distorção e indiferença. Nunca há rupturas, assaltos sonoros e de imagem, e quanto mais tempo passa mais o que ficou para trás ganha ressonância. A Patricia vai ganhando barriga, a filha do Linklater ouve Lady Gaga e pinta o cabelo, o Obama está prestes a ganhar, e vamos seguindo. Seguindo até ao fim, até esse sublime plano final, olhares e silêncios a pedir cumplicidade e planos para o futuro. Que o filme comece com uma das mais miseráveis cancões de sempre e termine com uma das melhores dos últimos , pra aí, vinte anos, não deixa de reflectir o lento mas crescente embasbacamento com Boyhood. Foda-se.


ps: Boyhood começou a ser rodado precisamente no mês em que o Sporting foi campeão nacional pela última vez. 


estamos a bater palmas


mas qual Muro de Berlim, mas qual Tiananmen


1989 é isto.

aguentámos 56 dias sem fumar


Próxima resolução: aguentar 57.

avé, avé, avé Rossellini, avé, avé...


São rarissimos os casos em que ver um filme (mesmo as obras-primas que tanto gostamos) não provoque um ajeitar-se melhor na cadeira, um músculo para aqui ou para acolá, uma tossita, um macaco tirado do nariz, um ajeitar de colhões, um fungar, uma bufa. Petrificação total. Fluxo neurológico como já não víamos desde uma foda dada em 2004, salvo erro, ali para os lados de Palmela. Estado de graça. O maior filme-ritual de todos os tempos. A maior cena de comida de todos os tempos (c'est un question de pouvoir!). Encher o enquadramento de personagens e de diálogos e permanecer uma unidade e um silêncio. E depois o Nolan tem os seus filmes todos no top 20 do imdb. Comprei frango assado, hoje.

"Io so nato co 'a vocazione de morimme de fame"


La ricotta, Pasolini. Máximo Catolicismo, máximo Comunismo, máximo Fast forward.

como diria mestre Gódárde: CATASTROPHE

Sérgio Santos is no more. Cansado de não ter comentários no blogo, de as visitas não serem grande coisa (fizemos o possível, Sérgio), de não ir mais ao cinema, de atravessar complicado período na sua vida, Sérgio termina a sua tarefa de nos dar cute movies. Vão-se assim os "pequenos sexo orais", as "princesas", as "gajas todas boas", os "planos de câmara", o "filme negro que é o 12 Year Slave"- só uma palavra do texto de Sérgio dedicado ao filme vale mais do que todo o abjecto trabalho do McQueen-, os "filmes parados", e as "pessoas mesmo más que existem neste mundo". Depois do fim do Dias Felizes, que muito nos alegrava com as contínuas reportagens sobre qualquer peido do Straub, só faltava mais esta. Ao menos não feches o blogo, Sérgio. Para o fim, a Lógica do Poder Segundo São Sérgio:

Aquela lap dance a cargo da poderosa Vanessa Ferlito foi uma das coisas que mais me excitou num visionamento de um filme e as últimas cenas que a pelicula mostra são poderosas e revela o quanto elas são poderosas.

Death Proof



andamos sempre um ou dois anos atrasados



Vilhena e a sua arte


sábado, 25 de outubro de 2014

É fácil voltarmos ao cinema clássico americano depois de ver o "Gone Girl", de David Fincher. Voltarmos a filmes como "Leave Her to Heaven", "Where the Sidewalk Ends", "Ace in the Hole", pensar muito em Wilder ou Lang. Para nos apercebermos que, pensando bem, não há um momento em "Gone Girl" que nos incomode verdadeiramente, como, pelo contrário, acontecia com esses filmes e cineastas. Fincher parece mesmo mais preocupado com o seu próprio cinema, a sua máquina, pôr as coisas a andar à sua maneira. Imaginamos que ele devia ter ficado com aquela primeira parte do filme, mas mesmo aí questionamos imenso a sua narração. E lá voltamos outra vez aos clássicos americanos; como é que começaria um filme destes à época? Provavelmente, com um plano e/ou uma voz off que nos dissesse logo tudo sobre as consequências das acções, nada escondendo. Aí sim, imagino, começaria um filme interessante.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Obrigado RTP #2

"O estádio do Mónaco não tem pressão nenhuma, parece um teatro."

Vítor Pereira, no "Grande Área", aludindo à média de espectadores no estádio do Mónaco.

Obrigado RTP #1

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Ah, David, que é uma alegria ter-te de volta


"Um...um..um...WOODY ALLEN??"

"Woody Allen? Serve, primeiro, para baralhar as pessoas...". Link.

Já estava mais ou menos alinhavado um post circense a esta coisa, com personagens que iam de José Rodrigues dos Santos a Rita Marrafa de Carvalho, de Papa Costa a Bispo Peranson, passando por um casal cinéfilo, um homem que tinha estado em coma e que ainda não sabia que no lugar do outrora épico cinema punheteiro há agora um local "que muita falta fazia não só a Lisboa, como ao continente europeu", do próprio Borges, até desaguar em centenas de extras como multidão faminta de justiça. Mas depois pensou-se melhor e achou-se que a frase, em si, já é suficiente. É como fazer paródias aos Monty Python.

"planos para o futuro"



Plano de grua? Plano de grua é Vidor!


As comadres de outrora foram substituídas pelo Google.

Wang Bing



Caso não haja mais nenhum adiamento ou cataclismo semelhante, estão encontrados os dois melhores filmes do ano.

Mas ainda falta estrear o Gódárde!!!

Eu peço desculpa, eu peço desculpa, eu peço desculpa, eu peço desculpa, eu peço desculpa...


Mas ainda falta estrear o Nolan!!!

Eu peço desculpa, eu peço desculpa, eu peço desculpa, eu peço desculpa, eu peço desculpa...

este blogo anda com demasiadas músicas de prestígio


fiquemos com a música...


...que o "filme" do irmão é cousa de indigente auto-comiseração.

e também esse velho truque de não tendo nada de nada para "se dizer", captar-se, então, esse processo de vazio. Vai para o caralho, pá. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A música de 2014

ainda melhor que a Anne Baxter



the timeless art of seduction...

... como matéria de hipocrisia, falsidade, manhosice, e lascívia empacotada em respeitabilidade. Ai, Lubitsch, que te foste embora e nos deixaste com as peidas e tetas "artisticas" do Korine e com as peidas e tetas MTV do Bay (mas antes estas do que as outras). Catarina da Rússia como "Mãe de todas as taradices", Anne Baxter motivo de baba no canto da boca, Vincent Price como surpremo representante da estupidez e tesão masculina envolta em "boas maneiras" ("pode ser que assim ela me deixe ir á cona, logo á noite!"). Não se deixe enganar pela "realização: Otto Preminger"; isto é Ernesto até ás Caves do Inferno, obra de esporrador a brincar com os ofícios do maravilhoso Código Hays. Melhor só comer galinha. Assada. 

Vilhena nunca será esquecido


viva o comunismo, as nacionalizações, a defesa do proletariado, o colectivismo económico, a Vita Cola.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

bem-vindos ao circo


este blogo só quer saber de blockbusters


mestre Cruise, um verdadeiro "auteur".

Edge of Tomorrow é uma maravilha de mcguffin (como, aliás, têm sido os últimos filmes do homem): elaborar um argumento qualquer (preferencialmente, um "filme-conceito") que depois gire á volta do maciço narcissimo de Tom. Edge of Tomorrow, então, vai talvez ainda mais longe nesta proposta do que qualquer filme anterior do gajo (mesmo até do que aqueles "filmes para gajas se masturbarem" dos anos 80, como o Cocktail e derivados), com uma história "interessante" e uma realização "em que se cumprem os cadernos de encargos" que apenas estão, a cada minuto que passa, a glorificar a verdadeira aura inquebrável da sua estrela. É simultaneamente inane, irresistivel, circense e magnífico. O final, então, é de uma desfaçatez que muito nos apraz, como se Cruse tivesse numa de moer o juízo por puro prazer aos seus detractores, que nós não somos, indo ao ponto de esclarecer que acaso tivesse uma filha adolescente e a apanhasse a enfiar uma banana na cona enquanto via o Drive, a trataria logo de repreender de forma injuriosa e implacável, mandando-a logo para a sala ver o Vhs do Cocktail.

Turquia...


... esse país de mulheres de buço, bicos de papagio, e invadidas por reumatismo.

Beren Saat/ Fasle Kargadan/ Bahman Ghobadi

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

ainda antes dos posts a fazer pouco


Gojira acaba de saber que o blogo Dias Felizes está desactivado, privando-o assim das últimas notícias sobre os pequenos almoços preparados por Anne-Marie Melville.

Gojira versão Garrel:

-Gojira, num austero preto-e-branco, vive num pequeno apartamento na grande capital francesa. Longe vão os tempos dos sonhos e utopias da adolescência, para além dos planos para dar pancada grossa em Cohn-Bandit, esse traidor. Sofrível actor de teatro numa piquena companhia, vive uma relação complexa com uma bibilotecária, com esta vivendo em permanente confusão de sentimentos, pois também tem uma paixoneta por um primo de Montpellier, citador avulso de Valery nos tempos livres. Gojira, em laissez-passer permanente, não dá conta da finas camadas de cola na sua aventura romanesca, até que a sua namorada lhe diz que vai viver com o seu primo de Montpellier, pois "tem mais dinheiro, uma casa maior, e mais perspectivas de futuro do que tu!", ao que Gojira, embasbacado, responde com um murro no apartamento, fazendo cair metade do quarteirão. Gojira, já recomposto, aceita a lição que lhe foi providenciada: dinheiro e casa primeiro, excelente capacidade para minetes, depois. A palavra "amour" é proferida 765 vezes.

Gojira versão Lav Diaz:

-é a evolução, em tempo real, da vida de Gojira, desde o seu nascimento há 100 milhões de anos, até aos dias de hoje, quando o nosso monstro trabalha como "curador" em diversos festivais multimédia por todo o mundo. 

Gojira versão Malick:

-Gojira vive numa pradaria no Colorado. Juntamente com o pai e a irmã piquena, Gojira passa os dias trabalhando na lavoura, dormindo, e comendo, completamente fora dos domínios tecnológicos dos nossos dias, imposição do seu rigoroso e monástico pai. Gojira, por vezes, esperando pelo efeito certo de luz, e passando as pontas dos dedos pelas searas, divaga nos seus pensamentos mais fundos: Que mundo é este, em que nem televisão se pode ver? Deus, nem sequer um rádio a pilhas me podes providenciar? Temeis que o vício se apodere de mim? E lá voltava ele para casa, com o efeito certo de contra-luz, com as pontas dos dedos pelas searas. Ao jantar, havia polifonia de voz offs, com o pai a questionar-se: Será que salguei demasiado o coelho?, a filha em alucinadas declarações ao seu enamorado: o meu amor por ti corre como um rio puro de papagaios dourados e reluzente como três chitas dormindo, e Gojira um tanto um quanto zangado: nem um caralho de um leitor de cassetes, Deus Nosso Senhor? E depois víamos a casa na pradaria, as luzes no seu interior, e a escuridão do Colorado em volta. 

Gojira versão Oppenheimer:

-Gojira, em tempos, foi um facínora ao serviço do partido dominante. Matando e comendo 2 biliões de outros monstros, Gojira goza hoje de inquestionável reputação na zona, sendo tratado como "Big Daddy" pelos mais jovens, admiradores das façanhas dos tempos idos. Um documentarista quer que Gojira reviva esses tempos de sangue e dentadas. Gojira aceita, reconstituindo, por entre risadas, os seus crimes mais espectaculares. Outros companheiros, geracionais ou de mesmo espirito, participam e riem com Gojira. Mas o nosso monstro vai, aos poucos, processando certos remorsos, terminando tudo com incontáveis sessões de Gojira a vomitar no terraço onde costuma ver filmes de Hollywood, uma das suas grandes paixões. Gojira reflete e aceita a sua pesada consciência.

Gojira versão Napalm:

-sem ponta de corno para fazer, Gojira, por entre uma cerveja e o Frei Bento Domingues na Rtp Informação, vai preparando um post sobre uma infame lista redigiada por um MUTU.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

50 cineastas melhores do que o Brian De Palma

Em primeiro lugar, um abraço ao Bruno e ao Palhares - prometo que vos deixo darem-me um murro na próxima vez que me virem.

Surge esta listagem após um desafio lançado pelo Napalm, há uns quantos meses, entretanto esquecido e relembrado aqui há dias, aquando dumas cervejas no Estádio, cujo televisor exibia o "Mission: Impossible". As regras são: apenas realizadores americanos; longas-metragens de 1968, data da primeira longa do De Palma, ou posteriores.

O desafio só não é uma cagada porque o senhor fez essa maravilha chamada "Mission to Mars" e porque há momentos bem conhecidos no filme de 1996 também não muito maus (e porque o gajo não começou em 1967). E quando o meu pai decidiu comprar um leitor VHS no Natal de 1996, alguns anos depois do outro ter avariado, o meu irmão alugou o "Mission: Impossible", que vimos três vezes antes de devolver, pelo que me merece um carinho especial.

Ora, então, os primeiros 40. Os restantes 10 surgirão aos poucos, com a vossa ajuda, sim, car@ leit@r, pode ajudar-me a dar cabo do Napalm, se assim desejar. Ele depois fará posts, fazendo pouco das minhas (e das suas) escolhas, principalmente da filha do Coppola, da mesma forma peculiar com que ele pega no DVD do "Lost in Translation", quando cá vem a casa. Ele diz que posso usar a caução "João Bénard da Costa", que vale pontos, mas não usarei esse truque.

Sem qualquer ordem:

Spike Lee, Gus Van Sant, Quentin Tarantino, Clint Eastwood, Michael Cimino, James Gray, Bob Rafelson, Tim Burton, Terrence Malick, Peter Bogdanovich, Sylvester Stallone, Michael Mann, John G. Avildsen, Alan J. Pakula, John Carpenter, Abel Ferrara, Jim Jarmusch, John Sayles, David Lynch, John McTiernan, Paul Thomas Anderson, Sofia Coppola, Todd Field, Frank Darabont, Hal Ashby, James Benning, John Milus, James Cameron, Katheryn Bigelow, Thom Andersen, Jay Rosenblatt, Kenneth Lonergan, James William Guercio, Milton Moses Ginsberg, David Fincher, Paul Newman, Charles Burnett, Kelly Reichardt, Barbara Loden, Lee Anne Schmitt.

Para finalizar, deixo-vos uma fotografia do prato de sopa que um dia destes comi:


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

altruísmo, um valor altaneiro

Se a rapariga em causa fosse feia ou se não tivesse grandes atrativos, até se podia compreender; mas neste caso, Marlin até tinha uma carinha laroca e tinha um corpo bastante sensual, cheínha, mas toda boa. Então porque é que o moço em causa recusa fazer sexo oral à miúda, eu no lugar dele nem pensava duas vezes, era logo naquela altura que eu dava à rapariga todo o prazer que ela merecia. Claro que alterava o argumento nesta parte e punha o rapaz a fazer sexo oral àquela coisa boa.

No local do costume. 

sábado, 30 de agosto de 2014


Um split screen entre discursos, personalidades e cores, unidos pela água, cujo som ouvimos durante os seis minutos, e o amor. Melhor que 95% do cinema português contemporâneo, estou simpático, hoje.