sábado, 30 de agosto de 2014


Um split screen entre discursos, personalidades e cores, unidos pela água, cujo som ouvimos durante os seis minutos, e o amor. Melhor que 95% do cinema português contemporâneo, estou simpático, hoje.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Eram os anos 70, sons adultos



Dois fotogramas de "Serpico", entre um e outro decorrem dois segundos. Olhando para eles, nada de mais. É preciso ouvir o que vai de um a outro, servem portanto estes fotogramas para irem ao seu encontro, se vos apetecer, claro. Recostado na cadeira, este personagem faz um movimento em frente. E o que se ouve é um chiar de cadeira tão duradouro, tão irritante quanto é maravilhoso ouvi-lo num filme, a limpeza com que o som chega aos nossos ouvidos, algo de facto de um outro tempo, impensável para os dias de hoje, em que nem seria preciso apagá-lo nas misturas, pois certamente aquela cadeira seria imediatamente substituída antes de filmar a cena. Nova Iorque, anos 70. Ainda não havia Giulianis no cinema.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

tags: Thelma Ritter maior actriz de todos os tempos; i'm tired, i'm through; rezemos.


Creio que em todo o neo-realismo italiano não há dois planos, quanto mais duas sequências, para pôr ao lado desta. - JBC

domingo, 17 de agosto de 2014


"há que filmar suavemente". também: Mia Kirshner questiona-se sobre problemáticas de cu.


de um tempo em que o Ferrara ainda fazia filmes, e não "estados gerais do mundo".


With the sound of a cork popping in the background, Ferrara states upfront that the only reason he agreed to do the commentary at all is for the $5,000 in cash, and he sets about earning every dime. Frequently distracted by Bojan Bazelli's gorgeous cinematography ("It's Rembrandted out"), especially when it accentuates the female form ("Everything's perfecto, including this piece of ass"), Ferrara goes on to remark that he would never make a movie like King Of New York again, because the filmmaking is "fascistic" in its precision.

An Unseen Enemy


Is there anyone today – any historian, any student of film, anyone with the least political sensitivity – who will dare to praise D.W. Griffith?

Há alguém com um mínimo de actividade cerebral que pode começar um texto sobre Griffith nestes moldes? E mais á frente, critica-se o "simplismo" e o "populismo" do Homem (ou como diria o eterno capitão João Pinto, "Griffith não é um hóme com um h grande, é um hóme com dois h grandes!"). Depois de intensiva e rejubilatória digressão por variadas curtas de David, posso afirmar, sem conhecimento de causa mas com grandes probabilidades de acerto, que D.W.G e seus "simplismos", "populismos", "nostalgias", "manipulações" e "chantagens pré-spielberguianas" estão ligeiramente acima de uma mamada da Rita Marrafa de Carvalho, que muito nos tem alegrado com suas belissimas aparições no Jornal da Tarde da Rtp1, em directo do Algarve.

mais bêbados


Henry Fonda e Harry Morgan. The Ox-Bow Incident. William A. Wellman

há cerca de duas horas (com interrupção para o grandioso fogo de artifício) que estou a ser embalado com "música ligeira portuguesa".


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

cinema americano dos últimos 40 anos




O Nosso Homem

Algures em Locarno. 13/08/2014. Dois cinéfilos conversam.

Cinéfilo 1 (C1): E o filme do Costa?
Cinéfilo 2 (C2): Esplendor na película. É que não há mais nada a dizer: esplendor na película.
C1: Mas não é digital, agora?
C2: Isso são matérias mesquinhas. É um esplendor na película, no digital, em cima de uma mesa de passar a ferro. Estou siderado.
C1: Eu também. Até me apetece dizer uma coisa, mas tenho medo...
C2: Mas é a dizer bem do Pedro?
C1: Muito bem, mas mesmo assim. Talvez seja um pouco arriscado...
C2: Ó meu caro amigo... se é para elogiar o Pedro, pode dizer á vontade. Toda a gente o compreenderá.
C1: Talvez seja um exagero, talvez...
C2: (sorriso) Não tenha receio. Diga o que tem a dizer. Só de pensar no que irá afirmar, já estou com o coração aos pulos...
C1: Sendo assim...aqui vai: este seu novo filme é ainda melhor que os outros dele todos juntos!
C2: (cambaleando, tossindo, recompondo-se, pedindo um copo de água a um servo que por ali passava, limpando os lábios com a manga da camisa): Precisamente, por são Skorecki! Confidenciei isso ontem á minha esposa e depois ao meu cão, que discordaram numa primeira instância, mas que concordaram depois de uns bons tabefes recebidos!
C1: Obra-prima mundial!
C2: Universal, meu caro companheiro!
C1: Pode-me agarrar? Isto é tanta beleza que mal me aguento em pé...
C2: Com certeza, estamos aqui uns para os outros...Olhe, a porta da sala vai abrir-se. Vai-se iniciar a sessão do Costa.
C1: Leve-me até lá, com cuidado. Como se chama o filme, mesmo?
C2: Qual?
C1: O do Pedro
C2: E isso interessa?
C1: Pois, tem razão. Muito obrigado. Ah, leve-me só mais um bocadinho até ao assento. Só mais um bocadinho...ah...agora sim. Obrigado. Magia da tela.
C2: É só emoções fortes. E temos Jean Luc novo, também!
C1: (Caindo do banco, falando com a cara no chão): Está a ser mauzinho! Não vê que estou a sofrer?
C2: É uma monumentalidade espantosissima. Vou ver para a semana que vem.
C1: Um dos maiores contributos para a história do cinema dos últimos 20 anos. Espero vê-lo dentro de um mês.
C2: ah...Les Choses. Les secrets. C'est la fin de la histoire. Marseille-2 Nimes-1. Auschwitz#3. Les filles. Ahhh...
C1 (ainda com a cara no chão): J t´aime!

omo




















Vários exemplos de limpeza visual intensiva, de depuração auricular, de descongestionamento hemorroidal, e de abrilhantamento epidérmico usados para quebrar os muitos efeitos indesejáveis causados pela horripilante double-bill La Cicatrice Interieure/ Le Petit Tailleur, pai e filho Garrel a verem à compita quem mais depressa me dava cabo da saúde. Se o pai Garrel ainda terá as suas atenuantes para tamanho pedaço de merda masturbatório-ruidoso (Maio de 68, punheta Warhol em progressão, "c'est la modernité, n'est ce-pas?", "somos jovens e radicais!", a Nico fazia belissimos broches), já o filho Garrel não tem perdão. Louis parece ser um tipo fixe com quem sair á noite, aos bares e discotecas. É certo que ele ficará com as gajas boas, inteligentes, e que fumam com pose (basta sentar-se e elas se jorrarão aos seus pés), mas um gajo, se estiver com ele, terá decerto hipóteses com as gajas pobres, burras e que não fumam com pose que acompanham as suas princesas, e antes uma noite com coninha quente do que noite qualquer a ver uma curta do Louis; se for caso, fecha-se a luz do quarto. Le Petit Tailleur é uma curta de 2010 que em 1960 já cheiraria a ranço seboso. Aliás, mesmo antes do surgimento da Nouvelle Vague, Le Petit Tailleur já seria datado. Só tiques iconográficos da era, 567 vezes a palavra "amour", gajas com problemas existenciais (não têm contas para pagar, estas putas?), jump cuts já portadores de barba nos minutos finais do À bout de soufle, preto-e-branco ("não temos lápis de cor!"), e essas coisas todas insuportáveis de tão afectadas. Quase nos fazem esquecer o único bocado de estimulante visual na curta do Louis:







segunda-feira, 11 de agosto de 2014

How I loved drinking. I barely had half a glass before my brain would start toying with the thought of really going for it this time. Just sit there knocking them back.

domingo, 3 de agosto de 2014

livro 2

Yet there were large holes in my memory. I had drunk a lot in the days I lived in the north, like the young fishermen I hung around with at weekends, a bottle of spirits vanished in the course of an evening, at least one. Entire evenings and nights had disappeared from my memory, and were left like tunnels inside me, full of darkness and winds and my own skirling emotions. (...) All these holes, all this unthinking darkness over so many years in which some mysterious almost ghostly event could be played out on the periphery of my memory had filled me with guilt, large tracts of guilt (...)