terça-feira, 29 de agosto de 2017



(...) Some of them still trying to pay for the plots and not even started on the stones. (...)

The Ottawa Valley, Alice Munro

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Ganda Iago

Come, come, good wine is a good familiar creature, if it be well used. Exclaim no more against it.

Othello, Shakespeare

segunda-feira, 19 de junho de 2017

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Signature dish

Ingredientes:

-1 paisagem deslumbrante
-Aves (à escolha)
-2 chinesas
-Homossexualidade q.b.
-1 Santo (e religiosidade q.b.)
-Citações
-1 música de autor homossexual
-1.000.000 de agradecimentos

Preparação:


Comece a trabalhar a paisagem, pois ela servirá de base, e dedique-lhe algum tempo, mas não demasiado. Aos poucos, vá introduzindo os outros ingredientes. Comece pelas aves (evite o frango e o perú, mais canónicos, e aventure-se com outras espécies) e, logo de seguida, junte as chinesas, que darão um toque exótico ao prato. Deixe cozinhar 30 minutos. Comece agora a juntar a homossexualidade (quantidade a gosto) e a religiosidade, de preferência com adição e citação de um Santo. Vá citando, neste momento, e continue a citar também na altura de empratar – não descure a beleza do prato, os olhos também comem – e na altura de agradecer. Uma vez empratado, como cereja no topo do bolo, termine com música de autor homossexual. Dada a junção complexa de ingredientes, este é um prato rapidamente perecível. Não reserve, sirva assim que puder. Bom apetite!

O Último Magnate - III

Era ali que Stahr se sentava, às duas e meia e, novamente, às seis e meia para ver as cenas de filmes durante o dia. Havia muitas vezes uma tensão selvagem naquelas ocasiões - ele estava perante faits accomplis -, os resultados líquidos de meses gastos em compras de direitos, planificações, escrita e emendas de escrita, formação de elencos, construção de cenários, planos de luminotecnia, ensaios e filmagens - os frutos de intuições brilhantes ou de reuniões desesperadas, de letargia, conspirações e suor. Nesta altura as manobras tortuosas estavam realizadas e suspensas... e havia enfim relatórios da frente de batalha.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

O Último Magnate - II

Olhando para trás, quando o carro entrou numa curva da costa, viram, por detrás da estrutura indecisa da casa, o Sol a ficar avermelhado, e a ponta do terreno pareceu-lhes uma ilha amistosa, não sem promessas de horas excelentes num dia qualquer de um futuro não muito distante.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O Último Magnate - I

Quanto a Jacques La Borwitz, vou poupar-lhes a sua descrição. Permitam-me apenas que lhes diga que era assistente de um produtor, que é uma espécie de comissário, e fiquemos por aqui. (...) Jacques La Borwitz tinha alguns pontos positivos, sem dúvida, mas também se encontram esses pontos nos protozoários submicroscópicos, ou num cão em busca de uma cadela ou de um osso.

na edição da Relógio d'Água

terça-feira, 13 de junho de 2017

"FLAGRANTE: E o senhor, estava de algum modo alcoolizado?

ANTENOR: Estava apenas alegre, excitado, feliz. Naquele estado em que a vida parece, por instantes, perfeita. A música, a noite lá fora. Eu ali com duas mulheres muito atraentes, o que me dava uma sensação de que a vida me permitia tudo. (...)"

in O Monstro, de Sérgio Sant'anna

domingo, 30 de abril de 2017

Vilhena returns.


Tightrope.





Susan Sarandon turned down the role of Beryl Thibodeaux, explaining to the Los Angeles Times in 1992: "The link between violence and sex was very strong. I met with Clint Eastwood and I said, 'Aren't you worried, especially you, who everybody thinks is like Man Personified, [that] when your character starts to do some of this stuff, that it's going to have a link between sex and violence and treating women badly?' And he said, 'I don't think that it's my job to worry about that, I'm an actor.' " 

Filme para boi dormir.


O Olivier Assayas é outro que em vez de andar a acartar baldes de cimento anda a fazer "descontruções de género", essas três palavrinhas que põem logo algumas vaginas ulttra-molhadas e alguns caralhos duríssimos. Na prática, são xaropadas sem rei nem roque, que de tanto "distanciamento" só podem formar belas paredes para observar durante duas horas. Personal Shopper é uma nulidade tanto como "filme de terror" (com efeitos especiais que já estavam datados no tempo de escola do Tobe Hooper) como "drama familiar"( com o recurso a efeitos especiais que já estavam datados no tempo de escola do Tobe Hooper). Este cinema peso-pluma (típico destes franceses "muito aplaudidos pela crítica") tem pelo menos um mérito: faz focar toda a atenção que consegue resistir para a Kristen Stewart, que aqui parece um feliz achado de miscasting. Anda por ali, meio autista, cagando-se para tudo o que a rodeia. É Kristen a ser Kristen, como já o era em Clouds of Sils Maria ou em Café Society, onde também já era das poucas qualildades desses filmes. Mas não desesperemos, pois há por aí um óptimo filme onde ela é uma entre várias outras maravilhas:




Tags: Vinho do Porto, Sol, praia, campo, seis milhões de euros por ano.

Após anunciar o fim da sua longa ligação ao Chelsea, John Terry poderá continuar a carreira no Estádio do Dragão. daqui

Excelente. Será pedir muito aos responsáveis do FCP para que o onze da próxima época seja este?:













segunda-feira, 17 de abril de 2017


Dos De Palmas mais desestruturados e indefinidos, mas...

O que retirámos de "Split":



Mentira. A sequência inicial também é fenomenal, do melhor que o Shyamalan já fez até hoje. Totalmente artificial e ilógica, assente apenas na arte de colocar e mover uma câmara. Depois começa o filme.

The Masque of Red Death.




Tal como o Luis Filipe Veira, a propósito da ida do Bernardo Silva para o Monaco, disse que "havia por lá umas cláusulas", também se pode dizer que no melhor do cinema de Corman, "há por lá uma história qualquer". Para ver em double bill com o Suspiria, ou com qualquer DeMille em Technicolor.

O filme estreado neste país em 2016 de que mais gostámos? Só o vimos em 2017.


A Toca do Lobo, Catarina Mourão.

Está bonito está, o cinema francês "de qualidade".


Já não bastavam as Garreladas e o seu "austero preto e branco" e os mesmos cornudos anuais; o cinema do papá e da mamã da Hansen-Love; a nouvelle vague provinciana do Desplechin; o Giraudie que neste último filme fez um amanhado episódico que passa por "cinema livre e sem concessões"; agora foi a vez do Dumont bater no fundo, o mesmo Dumont que anda há uma dúzia de anos a ser levado não ao colo, mas de Boeing pelos Cahiers e seus minions. Reconheça-se, neste asqueroso Ma Loute, um possível mérito: é capaz de irritar tanta a faxolândia como a esquerdalhada. De resto, é um festival grotesco que passa por encenar a milésima "luta de classes" (epá, pó caralho mais a "luta de classes", caralho) através de um arsenal caricatural capaz de corar de vergonha o pior funcionário do Charlie Hebdo. Gags inenarráveis e, pior, repetitivos; a "elite" parece a versão a esteróides da mesma "upper class" do Mon Oncle e a "classe trabalhadeira" é porca e animalesca (H.G.Wells, anda cá baixo ver isto!). Juliette Binoche nunca esteve assim, tão intragável, presa em tiques de "teatro" de revista. A maravilhosa Valeria Bruni Tedeschi, quase sempre perfeita na sua aura destrambelhada, ´tá aqui a fazer coisa nenhuma. Ah, e também há o sempre indispensável toque de "realismo mágico", com citação felliniana e tudo. Bardamerda, como diz o outro.

LOL. O segredo para, neste momento, se apreciar o cinema de Malick? Ver tudo como uma comédia involuntária.

Primeiro filme de Monte Hellman. 20 centavos, um dia de rodagem, um enorme prazer.

Mais um filme que apreciámos e que faz gala de um repreensível "mau gosto".


quinta-feira, 13 de abril de 2017


Caguei.

Depois de Noé, depois da filha do Coppola, depois de Winding Refn, agora foi a vez de gostar de um filme do Serra (embora haja por lá um plano cheio de "arte", com o Léaud a olhar fixamentte para a câmara durante uns dois ou três minutos e a música clássica a completar o encher de chouriços). Posto isto, só falta abocanhar com grande prazer um filme do Von Trier. Lições do dia: mais facilmente gostarei de um filme de um cabrão do que os de um cidadão cujos méritos vão  da "grande secura emocional" ao "reparem como é de extremo bom gosto apreciar este cinema" (Garreladas, Bellochiadas, todo esse bafio, etc.).

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Out of the Past.

Bom filme, aposta ganha da parte de Noé. A violência não é, na minha opinião, gratuita pois é fundamental para o desenrolar da acção. De referir a magnífica cena final em que os dois personagens estão no seu quarto. Com a premissa de "O tempo destrói tudo." o filme não desilude, antes pelo contrário.

A não perder

Daniel Pereira


 Grosseiro e maneirista filme de Gaspar Noé,realizador que se tem vindo a especializar em "filmes-chocantes".É um filme que irrita do primeiro ao último minuto.O caos emocional é estudado ao pormenor;tudo está cuidadosamente encenado,desembocando num todo ultra-pretensioso.É o estilo pelo estilo.A cena da violação provoca bocejos.Este filme assemelha-se àquelas maças bonitas e perfeitas por fora,mas com um conteúdo pobríssimo,podre,e a cheirar mal.Dá vontade de rebentar em insultos contra este filme.Mas n podemos cair na grosseria do senhor Noé...


Tiago Ribeiro 16/12/2002


www.Cinema2000.pt. Para rir até cair pó lado. 

ps: na altura, lembro-me de receber um mail de um cidadão preocupado com o bom uso do português. Não existe "pobríssimo", mas sim "paupérrimo"

sábado, 11 de março de 2017

Não sou um comprador compulsivo de livros e há muito que deixei de comprar dvds. Isso não impede que tenha em casa entre uma a duas dezenas de livros que nunca li e talvez o mesmo número de filmes que nunca vi. Tenho esses livros e esses filmes debaixo de olho, chegará o dia em que terei tempo para eles, o que não é nada o caso no tempo presente. Com eles vou sonhando acordado e penso como seria bom, por alguma razão absurda, ficar fechado em casa, impossibilitado de sair. Pegava imediatamente no livro x e pausaria a leitura para o filme y. Este jogo mental acontece também em casas de pessoas próximas, nas quais vamos alinhavando uma ordem imaginária de leituras e visionamentos. Ah, como seria agradável a prisão domiciliária. Que vontade de cometer um crime!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Telespectadores

Ouvido o especialista em cinema, que colocava Damien Chazelle numa linhagem de realizadores cinéfilos como a dos movie brats, a jornalista da SIC regozijava-se: "como telespectadores, esperemos que venha daí coisa boa".